16/09/2016

Herança do babywearing

Os bebés crescem e deixam de andar tão colados a nós. Mas o conceito de "babywearing" mantém-se durante muitos anos. 
Mesmo sem usar qualquer pano, chego a casa e esforço-me por usar o aconchego e a atenção. Hoje em dia o trabalho esgota-nos. Chegamos cansadas a casa e só queremos despachar as tarefas o mais rápido possível. Mas, tal como nós, as crianças também chegam cansadas, chateadas... Também elas tiveram um dia cheio de desafios e novidades. 
E elas só querem atenção, compreensão e aconchego. Aqui por casa, a primeira coisa a fazer quando se chega a casa é abraçar, conversar e brincar. Eles não exigem muito. Ficam satisfeitos com pouco tempo. E quando chegamos demasiado tarde e, o tempo para brincar é curto, ele ajuda nas tarefas. Tarefas onde esteve sempre presente já que o babywearing o permite desde sempre. 

"Eu ajudo mamãe"


13/07/2016

Um chá com... Jassy Brischi

Mulher, mãe, companheira, artista, artesã... são só alguns dos títulos que podemos dar à Jassy, mas o nosso preferido é amiga.
Uma excelente embaixadora do Babywearing no Brasil, faz parte da moderação do grupo brasileiro que conta com mais de 11 mil membros.
Responsável por converter muitas brasileiras, e não só, ao bem carregar, com os seus relatos, ajudas, fotos e entusiasmo!
Este mês o nosso chá é com ela... Jassy Brischi!
Venham conhecer uma das estrelas do babywearing brasileiro, e do Mundo!



1. Já planeavas carregar a tua bebé, durante a gravidez?

R.: Sempre achei lindo carregar bebês no pano mas não me aprofundei sobre o assunto durante a gravidez.


2. O que adoras no babywearing?

R.: A possibilidade de ter a minha filha junto a mim e ao mesmo tempo ter autonomia é a melhor parte, dá pra sentir o quanto é prazeroso para nós duas.


3. Qual é o comentário que ouves com mais frequência, enquanto passeias pela cidade com a tua bebé no pano?

R.: A maioria é bom, "Que gracinha", "Que lindo!", "Tá gostoso aí né lindinha!?"


4. Quantos porta-bebés tens? Quais utilizas mais?

R.: Tenho no momento um sling de argolas, sete wraps, um rebozo e uma mochila. Os panos são os preferidos!


5. O que dirias a alguém que está a pensar experimentar o babywearing?

R.: Para experimentar de coração e mente aberta, que é um processo de conexão com o bebê e uma via de mão dupla onde tanto quem carrega quanto quem é carregado participa, e isso é lindo!


6. Queres partilhar connosco a tua foto preferida para partilharmos no nosso blogue.

jassy.jpg

Muito obrigada pela tua amizade e disponibilidade em nos ajudares a divulgar o babywearing.

https://www.instagram.com/jbrischi/


08/07/2016

Sling? Qual sling?

Já vos falei aqui da minha história pessoal de como comecei o meu percurso no babywearing.
O primeiro artigo que comprei foi um Pouch sling ao qual não me adaptei.
Não vou aqui demonizar o pouch sling. Não sou fã, ponto. Mas não significa que não tenha as suas vantagens desde que nas condições certas.

O título deste post devia ser:
Porque é que eu prefiro o sling de argolas?
Mas para vos responder preciso falar-vos de ambos e das diferenças e semelhanças entre eles.
Neste momento tenho ambos, e mostro-vos aqui um sling de argolas Littlefrog e um pouch Cukuru.

A primeira coisa a ter em consideração é que, seja qual for o sling, a posição correcta nele é a vertical, sentados, como em qualquer porta bebés.
Barriga com barriga, ou na anca, mas sempre com o bebé voltado para nós, com o assento feito de joelho a joelho.
Assim:


A posição de berço, que muitas marcas publicitam, é possível mas só em curtos períodos de tempo. E quando falo em posição de berço, não digo completamente deitados, mas sim sentados de lado, com a cabeça apoiada, enquanto mamam por exemplo. Voltando logo depois à posição vertical, ou podem até amamentar mesmo nessa posição vertical se o conseguirem.
Reparem que quando estão deitados no sling, os bebés ficam completamente curvados, com o queixo encostado ao peito, então experimentem fazer este teste:
- Curvem-se com a coluna enrolada e o queixo ao peito, e a seguir... tentem respirar. É difícil, não é? Para os bebés também!
E é por essa razão que de vez em quando aparecem notícias a acusar o babywearing de ser perigoso, e pode ser perigoso sim, quando mal utilizado.



Mas vamos aos slings...
São ambos porta bebés bastante práticos, fáceis de colocar, frescos para o Verão e normalmente leves de transportar na carteira (neste último ponto mais o pouch).
O sling de argolas é um pedaço de pano, longo, com cerca de 60cm de largura e comprimento variável, cosido a um par de argolas numa extremidade.
O Pouch sling é também um pedaço de pano, dobrado a meio e costurado com as dimensões pretendidas.


E quais são então as diferenças na utilização?

O sling de argolas é completamente ajustável, como num pano é possível ajustar o tecido prega por prega e deixá-lo completamente tensionado e a suportar convenientemente o bebé. No caso do pouch, este ajuste Não é possível.
Por esta razão, o pouch sling não é indicado para bebés recém nascidos ou que ainda não se sentam sozinhos. A imaturidade da coluna do bebé, implica um ajuste adequado do porta bebés para assegurar a sua posição correcta e o seu suporte, algo que não é possível num pouch como num sling de argolas ou num pano.




Outra diferença é no tamanho. Um pouch sling tem que, normalmente, ser feito à medida. O que significa que, se tivermos uma variação grande no nosso peso (como acontece com alguma frequência no pós parto), o tamanho que compramos quando o bebé nasce não nos vai servir na altura em que realmente o "podemos" usar. Foi o que me aconteceu a mim.

Outra das limitações no tamanho é que, se foi feito para ti, provavelmente o pai não vai conseguir usar porque o tamanho não é o mesmo. E vice-versa.

Mas o pouch sling não tem só contras. Feito à medida, e com material de confiança, é um excelente aliado ao colo quando os bebés são maiorzitos.

Prático de colocar e de dimensões reduzidas, é o preferido para andar na carteira de mães de crianças que já correm tudo, mas que não dispensam o colo a qualquer momento do dia.
Eu, após a minha primeira experiência falhada com um pouch, optei recentemente por adquirir um verdadeiramente à minha medida, e a experiência foi bem mais positiva!
Mas o meu preferido continua a ser o de argolas, por achar mais versátil e cómodo. Claro que, quando os bebés têm a idade da minha acho mesmo que a decisão entre um ou outro é já pessoal e cada um tem o seu preferido.

E aí por casa, qual é o vosso?

07/07/2016

Onbu? (mais um porta bebé)

O onbuhimo ou onbu como gosto de lhe chamar é um porta bebés prático de origem japonesa.

Por ser fácil de por e tirar é optimo para as crianças que tão depressa querem colo como querem chão. Por não ter cinto também é boa solução para as mamas grávidas e também para fazer babywearing com filhos de idades diferentes.
Só deve ser usado com bebés que se sentam.

Algumas pessoas não gostam por não ter o suporte do cinto. O peso fica todo nos ombros. Para passeios longos pode tornar-se menos apropriado. Se bem que eu já percorri o Ikea todo com o meu filho no onbu e não me senti cansada.
O onbu é mais usado para portes às costas. Há quem use também à frente, mas não é o modo que eu prefiro.

Às costas o bebé deve ficar alto o suficiente para conseguir ver por cima do ombro.
Ele ocupa pouco espaço e por isso é fácil leva-lo connosco para quando a criança fica cansada.

O meu filho gosta muito do onbu e por isso é o porta bebés que eu uso com mais frequência.
O R. adora quando eu faço do onbu um baloiço, mas isto não é uma sugestão. 

O que eu tenho é ajustável e é da Lenny Lamb. Mas também já experimentei uma conversão feita pela Gisela Entrebrazos

Desculpem lá as fotos não serem as melhores, mas a maior parte das vezes não me lembro de tirar fotos.

R. com 34 meses e 12kg. 

28/06/2016

Porte do Mês... FWCC | Carry of the Month... FWCC

Depois do que a Cláudia escreveu aqui e a Ana aqui não tenho muito a acrescentar às vantagens e desvantagens do porte que escolhemos para falar no mês de Junho. 

O FWCC (front wrap cross carry) ou também denominado cruz envolvente, foi o meu primeiro porte. Para mim é o mais simples de aprender e tem a vantagem de dar para usar com panos elásticos e panos woven. 

Existem várias versões deste  porte. Gosto especialmente do FWCC with a twist, apesar de este não dar para fazer a dupla camada. 

Quando tentei fazer o porte com a boneca o meu filho disse:
- A mama tem um bebé.... quero o pano

E eu larguei logo a boneca porque já há imenso tempo que não o convencia a vir para o pano. Ele está mais fã das mochilas e onbu.



Porte do mês de Junho, interrompido pelo R.

E qual será o porte que escolhemos para o mês de Julho?

25/06/2016

Foi desta!!


No sábado passado estive num evento organizado pela Ergobaby Portugal, onde ganhei uma mochila porta bebés, na versão Original!
 

Nunca tinha experimentado e, desde que foi anunciada a Adapt (a nova mochila da Ergobaby), que andava especialmente curiosa em relação à marca...


Sou utilizadora de Manduca e esta é, portanto, o meu termo de comparação... Quem me conhece sabe que sou fã da mochila. Para mim é a mais versátil do mercado. 
Há uns meses atrás, quando me decidi pela Manduca, li uma série de reviews nacionais e internacionais e, por muitas razões, foi a que comprei. Adoro a versatilidade da Manduca, mas surgiu a hipótese de experimentar a Ergobaby, junto das representantes da marca em Portugal, e devo dizer que gostei. 



À semelhança da Manduca, a Ergobaby Original permite três portes: frente, costas e anca. No porte à frente permite também cruzar as alças.

É super fácil de colocar e ajustar. Enquanto utilizadora de Manduca senti falta dos ajustes frontais das alças, que a Ergo não tem. Este parece um pormenor menor, mas estes ajustes são particularmente importantes para quem amamenta, por exemplo. A Ergo é super confortável e tem um bolsinho muito útil para quando saímos de casa com pouca coisa, como as chaves ou o telemóvel. Contudo, a Ergo Original não "cresce" com o bebé como a Manduca e necessitando de um redutor, este tem que ser comprado à parte.






Gostei bastante dos materiais e gostei muito do design. A que trouxe comigo é de uma edição especial de comemoração do 10.º aniversário da Ergobaby, da autoria da sua fundadora Karin Frost, e é muito bonita! 

 

Como disse, fiquei surpreendida com a mochila, no geral gostei. Mas ainda não me convenceu completamente esta versão. Continuo a achar a Manduca mais versátil e um melhor investimento para quem está a pensar comprar uma mochila com uma boa relação qualidade - preço - tempo de vida.



24/06/2016

E o calor?

Não vos quero maçar com posts longos, mas este é um daqueles que é impossível reduzir a dois ou três parágrafos. 
Nesta altura do ano, o calor é uma das principais preocupações de toda a gente quando falamos em babywearing.
Eu vivo numa cidade onde as temperaturas facilmente rondam os 30 e tal graus à sombra. As pessoas na rua perguntam se não é demasiado calor ao carregá-la assim, e quem já não passa sem babywearing pergunta qual a melhor maneira de carregarmos os nossos bebés com este calor.

A minha primeira resposta é: vamos ter sempre calor! Mesmo sem eles ao colo. E claro que haverá sempre opções mais confortáveis, mas essencialmente temos que pensar em duas coisas:

- o contacto entre dois corpos, seja com porta bebés ou não, gera sempre mais calor.
- nós podemos até andar mais frescos sem eles ao colo, mas os bebés, principalmente os mais pequeninos no "ovo", terão ainda mais calor.

Então, o que sugiro eu nestes dias de calor?

Em primeiro lugar, que se evite sair de casa nas horas de sol mais intenso. Não tanto pelo calor mas para evitarmos a exposição solar nessas horas mais difíceis.
Se tivermos mesmo que sair de casa, procurarmos o mais possível as sombras, usar sempre chapéu  e óculos de sol no bebé e um protector solar de preferência mineral (nós usamos este).
Hidratar o bebé sempre que possível, oferecendo água (se já não se encontram em aleitamento materno exclusivo) ou maminha (a minha filha continua a preferir esta segunda opção).
Vestir pouca roupa, de preferência só uma camada, de material leve e fresco. E lembrarmo-nos que todas estas recomendações são para os bebés mas também para nós.
Acima de tudo fazer pausas sempre que possível e estarmos atentas aos nossos bebés.

E na altura de escolher o carregador?

Para o Verão eu sou absolutamente fã do Sling de argolas. Eu e a minha filha pois é sempre a primeira escolha dela também.
É prático, leve, e usa-se com apenas uma camada de tecido, o que é importante nesta altura. Eu prefiro misturas de linho (ou até 100% linho como o meu Oscha ou como uns 1Bigo e Mamã Natureza que andamos a testar)
Slings de Argolas de Linho Mamã Natureza

As Mochilas podem também ser uma boa opção. Por serem abertas lateralmente conseguem ser bastante arejadas embora não o pareça à primeira vista.
Algumas mochilas são mais leves especialmente para o Verão, e há até opções de painéis perfurados.
Nós temos a Physiocarrier da JPMBB que gostamos muito, principalmente o pai, mas há várias opções no mercado, inclusive no mercado português, com soluções semelhantes.


Physiocarrier JPMBB

Testamos também há uns dias uma mochila Isara que gostamos bastante mesmo no calor. Feita a partir de um pano woven, 100% algodão, bastante confortável, macia e adaptável ao nosso corpo. Brevemente espero fazer uma descrição da nossa experiência aqui.



ISARA baby carrier


Os Panos são também uma das minhas opções favoritas. Como a E. já tem 2 anos,  já não usamos panos elásticos mas apenas não elásticos (woven). 
Os elásticos não seriam a minha primeira opção para usar no Verão, porque são usados normalmente com 3 camadas de tecido para maior resistência o que os torna mais quentes.

Entre os panos não elásticos há uma variedade enorme de opções, que podia fazer um ou dois posts inteiros só dedicados ao tema. Mas vou mostrar-vos os que mais usamos no Verão. 
Pessoalmente gosto de misturas de linho ou de cânhamo (ou as duas juntas). O linho é já conhecido por ser uma matéria prima mais leve e bastante usada no Verão e o cânhamo, apesar de ser preferido para o Inverno, como é termorregulador eu acho que funciona muito bem nas misturas de linho e de algodão. Seda nunca testei, mas é também conhecida por ser uma das melhores opções para esta época.


Pano WovensWings com mistura de Linho e Algodão Egípcio nas fotos da esquerda e pano Didymos índio com cânhamo à direita.


Com os panos, procuramos evitar portes com mais do que uma camada para circular melhor o ar e não aquecer tanto o bebé. Colocar o bebé nas costas ou na anca permite também uma maior sensação de frescura para o carregador.
Gostamos de panos curtos também para esta altura, porque são mais práticos de arrumar na carteira, e como só usamos portes de uma camada não precisamos de tecido de sobra.


Eu escrevo aqui sobre as minhas opções favoritas, mas existem ainda variadíssimas soluções para carregarmos os nossos bebés no Verão, e até carregadores indicados para usar na praia e na piscina.
Acima de tudo o Verão não deve ser impeditivo de carregarmos os nossos bebés perto de nós como eles tanto precisam e querem.
O importante é estarmos atentos aos sinais que eles nos dão e ao nosso corpo, usarmos o carregador indicado e de forma correcta, e claro, proteger do sol e hidratar.
E que o Verão seja bem vindo!